Uma tonelada de material para estudar. Como encontrar uma maneira de não perder de vista o que foi estudado três dias atrás? Eis a questão.


O “segredo” além de estar totalmente ligado a leitura diária das fichas, também está relacionado com a variação de assuntos estudados em cada dia de estudo.


É improdutivo o candidato ficar mais de duas horas em uma mesma matéria. Nossa mente simplesmente não suporta, é maçante demais. O nível de assimilação cai de acordo com o tempo de estudo de um mesmo tema. É sempre bom ter em mente as propagandas de televisão, geralmente curtas e repetitivas, e cada aparição não é sobrecarregada de informações que cansariam o público-alvo, músicas são inseridas no contexto (os famosos jingles), humoristas aparecem contando suas piadas, etc. Não há quem não lembre do famoso comercial da palha de aço. E veja só que assunto mais árido para se colocar uma piada: palha de aço!

 

No entanto, lá está o humor, os comerciais são super lembrados e as vendas vão bem, obrigado.


Temos uma tendência a lembrar com mais facilidade assuntos em que o humor esteja presente, coisas que fizeram a nossa mente quebrar aquele gelo habitual e ‘descontraíram’ os neurônios, eles adoram brincar... É o Lado Direito trabalhando. (Ver capítulo sobre os lados do cérebro).


Estamos gastando este tempo, comparando nosso estudo a um comercial de televisão, para explicar que não é o tempo demasiado gasto em uma matéria que fará com que o cérebro assimile seu conteúdo.

Por que lembrei das propagandas de televisão?


Vocês já perceberam quantas vezes elas se repetem ao longo de um dia de programação? E mais, a curta duração de cada uma?


Esta é a analogia básica que devemos fazer para entrarmos no assunto do estudo diário. Basicamente estaremos mandando um tipo de informação semelhante a que os comerciais de TV tentam nos mandar. Por que não copiar a maneira que eles utilizam para nos fazer ter atenção, assimilarmos o que querem dizer e depois comprarmos e comprarmos...?


Pois é isso, façamos o mesmo com nossas matérias de estudo diário.

 

 

 

Lembrem-se: o objetivo é chegar no dia da prova com todas as matérias equivalentemente bem lembradas em nossas cabeças. E outro motivo é o cansaço e stress mental gerados por ficar tanto tempo olhando para a mesma matéria. É muito cansativo.

Por exemplo: 1 hora de estudo de português com a hora seguinte de estatística, depois a leitura de um bloco de fichas, em seguida 1 hora de Direito Tributário, ou para quem é vestibulando, mais uma hora de biologia.

Uma desculpa que muitos concursandos dão, quando querem justificar o fato de quererem estudar 4 horas uma mesma matéria, é a questão do peso na prova. “Ah, tenho que estudar Direito Tributário (ou biologia para os vestibulandos de medicina) 6 horas por dia porque é minha prova específica”.


Repetindo: é um erro ficar mais de 2 horas na mesma matéria. Nosso cérebro pode até agüentar ficar olhando enfadonhamente para a mesma matéria durante um dia, mas perde energia para se dedicar a outras matérias que são cobradas igualmente no concurso.


Outro ponto fundamental é a ILUMINAÇÃO cerebral. O que vem a ser isso?


Comparo nossa mente a uma grande mansão com muitos cômodos. Vários corredores com muitas portas em cada um. Esta grande mansão está apagada no início de nosso estudo diário.

Ler uma matéria é como entrar em um quarto e acender a luz. De repente aquele quarto, que estava escuro, se ilumina e podemos olhar com atenção tudo que está lá dentro, uma cama com um edredom estampado com flores laranjas, um par de chinelos no pé da cama, uma televisão apoiada em um suporte fixo na parede, a porta do guarda-roupa entreaberta,
o ar-condicionado com o fio fora da tomada, enfim, se ficássemos naquele quarto o dia inteiro iríamos identificar uma infinidade de coisas que só ele possui na casa.


Mas como a casa tem outros cômodos, que também estão escuros, não podemos perder tempo demais em um quarto somente. É preciso iluminar e olhar o que tem dentro de outros quartos da casa. Devemos guardar o máximo de informação sobre cada quarto desta mansão e, mesmo assim,
alguns quartos ficarão para o dia seguinte, dado o tamanho da casa.


No dia seguinte iluminamos alguns quartos que faltaram do dia anterior, percebemos sutilmente que alguns quartos são um pouco menores do que outros, e com maior facilidade guardamos o que tem dentro dele.

 

Mesmo assim, este quarto deve ser visitado constantemente. No outro dia iluminamos quartos já iluminados dois dias antes e alguns que foram iluminados no dia anterior. Quando olhamos desta vez, percebemos que ainda temos a lembrança de visões dos dias anteriores, mas também verificamos novas coisas nos mesmos quartos, móveis que tinham passado despercebido, quadros que não entendíamos o significado.

 

O trabalho de iluminar os quartos desta casa é diário e seu objetivo é manter em mente quase tudo que tem dentro de cada um, mesmo sabendo que é impossível conhecer 100% de todos os quartos.


A grande mansão é o nosso Cérebro. Os quartos são as matérias que estudamos para um concurso. O ato de iluminar nada mais é do que o de estudar, pelo menos uma vez a cada dois dias, algo relacionado com a matéria.


Ao dedicarmos nosso tempo de estudo a uma matéria, estamos iluminando em nosso cérebro aquele pontinho que ele reservou para o assunto.


Nossa mente precisa disso, precisa desta iluminação constante. Quando ficamos muito tempo sem ver sequer um fato ou um assunto relacionado àquela matéria é como se estivéssemos deixando aquele quarto apagado por uma longa jornada, todo fechado, sem ventilação e escuro.


Em breve as teias de aranha tomariam conta do lugar e o mofo se instalaria por baixo dos móveis, transformando aquele que já foi um quarto limpo e agradável em um local sujo e desarrumado.


O mesmo se opera em nossa mente. Os assuntos que deixamos de lado aos poucos vão sendo esquecidos e nosso próprio cérebro trata de reservar um espaço cada vez menor e mais distante para eles, até que perdemos completamente a conexão com a matéria que era abordada por este assunto.

 

Seria como se trancássemos para sempre a entrada para aquele quarto em desuso. Quando mencionei que o aluno deve intercalar as matérias de estudo diário, o objetivo é justamente iluminar uma maior quantidade de quartos da casa em um único dia.


Um dos grandes macetes é a iluminação diária de várias matérias. Ontem uma amiga, que está se preparando para o concurso de auditor fiscal, disse-me exatamente o que considero um dos maiores erros que os candidatos cometem quando estão se preparando para uma prova de concurso.


Ela está a uma semana estudando uma matéria apenas, e ainda disse mais, na semana anterior se dedicou “de corpo e alma” a outra única matéria.


Que pena... O concurso para Auditor é composto de 11 matérias. Estudar apenas uma e deixar as outras 10 no limbo do esquecimento é improdutivo. Não cometam este erro.


Continuando com a divisão do tempo de estudo, é obrigatório que dentro de um dia de estudo conste um tempo dedicado a leitura de um bloco de fichas. Se você só tem um bloco de fichas confeccionado até agora, não tem problema. Releia-o diariamente até que exista um segundo bloco.

 

Quando já tiver 2, um dia leia um e no outro dia leia o outro. Quando tiver 3, leia um no primeiro dia, no outro dia leia outro e no próximo dia o outro.
 

Com o tempo a quantidade de blocos de fichas irá aumentar e chegará um momento em que você terá que utilizar o que está relatado em outro capítulo, que é a coordenação de leitura dos blocos de fichas.


O mais importante é ter em mente a obrigação da leitura diária dos blocos de fichas, além da constante confecção de novas fichas.


A leitura de um assunto em um bloco de fichas irá puxar em sua mente outro assunto, presente naquele mesmo bloco, mas que não tem qualquer relação com o assunto lido. Isto acontece porque aquelas matérias foram estudadas em uma mesma época e guardadas em um mesmo bloco de fichas.
 

Mais um importante detalhe sobre os blocos de fichas:

Encher um bloco inteiro com apenas uma matéria seria cometer o mesmo equívoco dos candidatos, que ficam uma semana inteira estudando apenas uma matéria.


O bloco deve ser bem variado para poder iluminar vários assuntos em um curto período de leitura.


Muitos podem pensar que uma ficha ingênua, contendo apenas um desenho com setas apontando para dois assuntos, não quer dizer nada e pouco irá acrescentar em nosso estudo. Mas a leitura desta ficha, somada a leitura de outras fichas simples a respeito de um assunto criará em nossa  mente o efeito de lembrarmos de outros assuntos que sequer se encontram nestas fichas. Um dos principais motivos deste fato é o sistema de ASSOCIAÇÃO utilizado por nosso cérebro no trabalho de aprendizado de qualquer assunto.


O segredo está em fornecer à nossa mente a maior quantidade de assuntos relacionados a um tema, logicamente de uma forma bastante simples, sem cansá-la, pois ela precisa de energia e espaço para fazer as ASSOCIAÇÕES.


E é exatamente assim que ela trabalha. O aluno sugere um assunto, insere algumas informações e nossa mente buscará as informações das informações.


Com este simples hábito da leitura e confecção diária das fichas, nossa mente irá gradualmente se exercitando neste processo de ASSOCIAÇÃO, até estar tão calibrada no dia do concurso, que a um simples comando da questão mencionando um assunto, todo um quadro é desenhado quase que imediatamente por nosso cérebro. E podem ter a certeza de que neste quadro constarão diversas fichas desenhadas, exatamente como estão em nossos blocos de fichas.


Além da leitura diária das fichas, deve ser dispensado um tempo a ser destinado a ATUALIZAÇÃO DA MATÉRIA.

 

É de fundamental importância que o candidato atualize suas matérias antes de assistir novamente a aula seguinte. É uma questão de acompanhamento didático.


Neste ponto temos que tocar no assunto tempo de estudo. Como já foi dito, quando nos dedicamos à empreitada do concurso público, precisamos ter em mente basicamente que este objetivo será o ponto central de nossas vidas durante algum tempo. É lógico que não devemos parar de viver para conseguirmos uma vaga em um concurso. Ninguém em sã consciência deve fazer isto. Porém, o candidato deve saber que precisa reservar uma grande parte de seu tempo na dedicação aos estudos do concurso.


Quando digo reservar um tempo para os estudos, não estou me referindo ao tempo destinado à freqüência nos cursinhos preparatórios, pois isto todos fazem. Se fosse por isso todos passariam. O tempo a que me refiro é o tempo de estudo sozinho em casa ou em um local de estudo mais conveniente.
É o tempo de estudo em que a matéria é assimilada, TRADUZIDA do que foi dito em aula ou nos livros para as famosas FICHAS DE ESTUDO CONDENSADO. É um tempo crucial na vida de todos os candidatos que se prestarem a seguir este método.


Se você trabalha a semana inteira, faz um curso à noite e realmente lhe resta pouco tempo para atualizar a matéria que foi dada naquele dia, não deixe passar o final de semana. É o tempo que você deve utilizar para confeccionar o máximo de fichas possível e atualizar todas as matérias estudadas durante a semana que passou. Se esforce ao máximo para não ir para a semana seguinte com matéria ainda não codificada totalmente para suas fichas.


Falamos sobre a leitura obrigatória diária das fichas, sobre a necessidade da atualização também diária das matérias estudadas e sua transposição para as fichas. Devemos incluir também, neste estudo diário, um tempo reservado para prática de exercícios de algumas matérias.


Por exemplo: 1 hora dedicada à resolução de exercícios de Direito Tributário ou de Biologia para os vestibulandos.


A demonstração de como devem ser realizados estes exercícios encontra-se no capítulo “A Repetição dos Exercícios”.


No capítulo seguinte veremos como pode ser montado um cronograma diário de estudos.

GERENCIANDO O TEMPO

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REPETIÇÃO É UM SEGREDO ESCANCARADO

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NENHUMA MATÉRIA MERECE MAIS DO QUE

DUAS HORAS DE ESTUDO DIÁRIO

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INTERCALE MATÉRIAS QUE NÃO TÊM NADA A VER COM A OUTRA

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NÃO PODEM EXISTIR BLOCOS DE FICHAS COMPOSTOS

DE UMA ÚNICA MANEIRA

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