Semelhante a uma prova discursiva, a redação é o momento de expor as ideias, mostrar no papel como se organizam os assuntos na mente do candidato. O objetivo de qualquer redação é se fazer entender pelo examinador de forma clara e objetiva.

 

Todos os comentários apresentados no capítulo anterior, se aplicam a este, no entanto, a estrutura de uma redação precisa de um maior rigor do que em uma resposta de prova discursiva. Além disso, recomendo que o leitor invista em um bom livro didático sobre redação, e se tiver condições, invista em um curso de redação. Aqui dou apenas uma visão geral, do ponto de vista do aluno que sou, distante de um professor de português ou literatura, pessoas mais abalizadas para ensinar sobre o assunto.

 

A clássica regra “começo, meio e fim” é o princípio básico da estrutura. Mas dizer isso é chover no molhado, o óbvio. Todo mundo sabe que é assim, e o que mais se vê são textos com “começos, meios e fins” incompreensíveis. Redações que terminam sem pé nem cabeça.

 

Organizando esta situação vamos realmente dividir a redação em três partes, considerando cada uma como se fosse uma questão discursiva em separado. O objetivo do candidato agora é fazer uma boa resolução de cada uma dessas etapas.

 

Normalmente as redações devem ter o mínimo de 30 e máximo de 50 linhas. Neste modelo genérico, escrever 40 linhas está de bom tamanho, nem muito curto nem muito longo.

 

Um formato interessante é distribuir os parágrafos do seguinte modo:

 

1 para a abertura (o início),

4 para o desenvolvimento e

1 para a conclusão.

 

Agora iremos transforar tudo em número de linhas:

 

Abertura – 5 linhas

Desenvolvimento – 6 linhas por parágrafo. Em 4 parágrafos teremos 24 linhas.

Conclusão – 6 linhas

Somando tudo obtemos um total de 35 linhas no modelo acima. É claro que estamos apenas estimando um número razoável de linhas por parágrafos. Pode ser que o aluno queira colocar apenas 3 parágrafos em sua redação, 1 para abertura, 1 para o desenvolvimento e outro para a conclusão. Mas é bem provável que a ideia fique comprometida no desenvolvimento. Pode tornar-se de mais difícil compreensão para o examinador, que tem outras “trocentas” redações para avaliar em sua mesa de trabalho.

 

A divisão em parágrafos torna mais limpa a mensagem. A leitura é menos cansativa. Dá fôlego a quem lê. Portanto, já no rascunho, desenvolva uma visualização em parágrafos. Uma ideia central em cada parágrafo. Com a atenção também para não fazer parágrafos muito curtos, com 2 linhas por exemplo. Pode demonstrar falta de complemento do que você queria transmitir, ou mesmo, desarmonia da estrutura do texto. 

 

Crie imagens do que será o centro de cada parágrafo. Exatamente como fazemos na elaboração das fichas, em que recomendo um tópico por ficha. Faça assim também quando visualizar no rascunho os parágrafos do seu texto. Uma imagem mental para a abertura, uma imagem global para o desenvolvimento, que será dividida em 5 imagens representando cada uma um tópico da ideia central, e finalmente uma imagem que signifique a conclusão.

 

Quando recomendo a criação de imagens para significar um parágrafo, nem sempre quer dizer um desenho. Pode ser uma palavra, um sinal, uma expressão ou mesmo uma pequena frase. Assim, com esta primeira construção no esboço, você pode dar rapidamente cara ao texto, “vou falar disso na abertura, depois desenvolvo meu pensamento por esta linha, e concluo com este entendimento”.

 

Passada esta fase ainda no rascunho, agora começa a etapa da construção literal. E neste ponto volto a frisar: este capítulo não substitui um bom livro didático de português. O transformar de ideias em frases coordenadas, exige prática e estudo. Prática de escrever seus próprios textos e estudo contínuo da nossa língua, acompanhado de leituras de qualidade, de autores reconhecidos ou de jornais e revistas que abordem assuntos relacionados com a sua área de interesse nos concursos e vestibulares.

 

Alguns cuidados que considero importantes:

  • Redação é criação. E todos sabemos que é melhor criar com a mente limpa. Então comece pela redação;

  • Se o comando da redação estiver muito complexo em sua mente, faça rapidamente o rascunho de algumas ideias principais, apenas tópicos, e dê um tempo, fazendo exercícios da prova. Deixe a mente dar uma arejada, distensione e ganhe auto estima resolvendo a prova;

 

  • Evite colocar direto na folha de resposta o pensamento inicial, trabalhe o rascunho sempre. E claro, rascunho à lápis;

  • Sobre o lápis, se for possível, utilize o 4B. Ele não requer esforço para deixar uma de fácil visualização. E na hora da correria, que pode acontecer (estamos em uma prova), Você não querer fazer esforço para entender o que colocou no rascunho, ou pior, se confundir;

  • Tente enxergar o conjunto total de sua redação como um desenho harmônico e equilibrado, com parágrafos proporcionais, passando "de cara" a imagem de algo limpo e organizado, antes mesmo de o examinador ler uma linha;

  • Para manter a sua faca afiada, pelo menos um dia na semana faça uma redação em modo prova, que é sentado, sem acessar computador, celular ou livros, pedindo para não ser interrompido, fazendo o rascunho primeiro e com tempo para acabar. Sugiro 1 (uma) hora.

A REDAÇÃO