Devemos enfatizar que a leitura das fichas DEVE ser um hábito DIÁRIO, de outro modo o estudante estará jogando fora todo o trabalho que levou para prepará-las.

 

O trabalho de construção das fichas dever correr em paralelo ao da leitura. Um é tão importante quanto o outro. E mais, até o último dia antes da prova, o candidato deve continuar normalmente com este procedimento: construção e leitura.

 

Não existe uma quantidade certa de fichas necessárias para passar em um determinado concurso. O importante é que elas façam parte do trabalho diário de preparação do aluno. Em um ano e três meses de estudo para o concurso de Fiscal elaborei 3.500 fichas, que foram gradualmente divididas em blocos de 100 fichas, totalizando 35 blocos.


Utilize o máximo possível de mensagens que tornem cômicas a leitura das fichas. Não perca uma oportunidade de contar uma piada para você mesmo.


O ridículo também tem papel idêntico a uma piada. Ele quebra a monotonia, descontrai sem distrair, e o efeito mnemônico é potencializado.

 

A simplicidade. Se um conhecido, interessado em saber que método utilizei para passar no concurso, resolvesse ler as fichas que escrevi, teria uma surpresa hilária e quase frustrante.

 

Muitas delas parecem desenhos de um estudante de jardim de infância, ou de um aluno que está aprendendo a escrever, dada a simplicidade das informações contidas, os desenhos aparentemente bobos e despretensiosos, fichas quase em branco com apenas duas palavras ligadas por um coração, fichas com apenas uma palavra na frente e outra atrás, enfim, uma coleção de pequenas informações expostas de forma bastante simples, distantes do que seria um tratado científico, ou o projeto de pesquisa aprofundada sobre o tema.

A essência do método é esta simplicidade. Cada ficha contém impressões totalmente pessoais a respeito de um tema. São a nossa visão do mundo, a expressão do que nossa mente conseguiu interpretar a respeito de um tema que estudamos. Não adianta pegar o bloco de fichas do colega vizinho.

 

Cada um tem uma maneira de enxergar a realidade; talvez seu colega tenha uma maneira tão diferente da sua que a leitura das fichas dele não irá surtir efeito relevante no seu progresso dentro da matéria.

 

Pode ser até que você entenda o que ele esteja querendo dizer, mas a forma e a linguagem de uma ficha são estritamente pessoais, só alcançando seu objetivo máximo se lidas pela mente que as escreveu.


Na hora da prova às vezes surge na mente a imagem do conteúdo de algumas fichas, exatamente como estava desenhado nelas. A lembrança do conteúdo das fichas traz à mente uma matéria inteira, que consumiria algumas folhas de caderno para ser explicada. A pessoalidade de cada ficha é responsável pela ampliação da capacidade mnemônica do candidato.


Nossa mente aprende melhor com o que lhe é familiar. Com o que tem mais intimidade, ela se sente mais à vontade. Com o tempo teremos a mão uma boutique de material didático totalmente personalizada.


Recomendo enfaticamente a divisão do tema em muitas fichas. Mais uma vez reitero meu pedido: 

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NÃO SEJAM ECONÔMICOS

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Certa vez, conversando com um colega que estava se preparando para os concursos, ouvi a seguinte observação sobre algumas fichas de estudo que estavam em minha mesa: “Nossa, mas como você gasta fichas, tem espaço para muito mais matéria aí. Eu gosto de aproveitar todos os espaços”.
 

Sem querer ser inoportuno com o colega, respondi brincando com ele que aquelas fichas seguiam o método Viégas de estudo.


Ele ficou intrigado e me perguntou que método era este. Entre outras coisas expliquei que o método aproveita os espaços vazios do que estudamos, que uma ficha repleta de letras seria tão maçante para o nosso cérebro que o efeito seria o inverso do que pretendíamos.

 

Ao invés de guardarmos um assunto, na verdade estaríamos fazendo um trabalho para torná-lo chato e desagradável para nossa mente.


Expliquei também a diferença entre os lados do nosso cérebro e que o Lado Direito precisa dos espaços vazios para funcionar, para criar, para se sentir à vontade. E que precisamos ser um pouco perdulários com as fichas.


Quanto mais gastarmos, melhor. O mais importante é dividir um assunto árido em uma maior quantidade de fichas e, de preferência, enchendo-as de figuras, desenhos e espaços em branco.


Fazer fichas simples assim ajuda em duas situações: na hora de confeccioná-las e, posteriormente, na hora de lê-las. Porque tão maçante quanto ficar horas copiando uma matéria enorme para poucas fichas, apertando o máximo possível, também é ter que ler aquele monte de informação contido em um espaço tão pequeno.

 

Este é um dos pontos que diferenciam este método. O que mais tenho visto, em relação aos estudantes que utilizam fichas em seus processos de estudo, são fichas e mais fichas absolutamente abarrotadas de matéria.

 

Por isso não chamo este método de Método das Fichas. Se fosse assim, muitos estudantes nem leriam o restante do livro. Achariam que está relacionado àquela velha e tradicional forma de estudo com fichas direcionadas
somente para o Lado Esquerdo do cérebro.


As fichas aqui são uma coleção de coisas simples. Simples mesmo. Curtas, engraçadas, com poucos termos complicadores. Se existir um termo complicador que inevitavelmente terá que fazer parte do nosso estudo, recomendo a criação de uma ficha desmistificando este termo, de preferência ridicularizando-o. Lembrando que o ridículo pertence ao Lado Direito.


Fazendo mais comparações sobre a necessidade da simplicidade nas informações contidas nas fichas, preciso relembrar que a nossa mente é uma ferramenta muito delicada, não pode ser apedrejada com uma tonelada
de conhecimento em um pequeno pedaço de papel. Ela gosta das coisas simples, como se fossem tijolinhos construindo uma muralha. O pedreiro vai levando no carrinho de mão apenas alguns tijolinhos, não tem como ele levar o muro inteiro de uma só vez. Nossa mente é a mesma coisa.


Para os que gostam de uma cervejinha, lá vai outra comparação:


Tentar comer um quilo de queijo, sem qualquer acompanhamento, seria uma tarefa absolutamente fatigante. Mas se pegarmos este bloco compacto de queijo, cortarmos em cubinhos e adicionarmos uma cervejinha e um jogo de futebol na TV... Pronto, lá se foram DOIS quilos de queijo.
Qual será o segredo?


A descontração. Até para comermos é preciso. E por que não para estudarmos? A cerveja e o futebol na TV em relação ao nosso método são as fichas bem simples, com pouca matéria em cada uma e com a utilização do humor, de figuras simbólicas, letras de música ou qualquer outra invenção que torne o aprendizado menos quadrado.

O queijo inteiro é aquela matéria enorme, chata e sem graça, que alguns tentam empurrar goela abaixo. E os dois quilos em cubinhos referem-se a matéria codificada em muitas fichas de estudo, e por isso muito mais fáceis de digerir.


Que coisa óbvia!


Só para se ter uma noção de que não é tão óbvio assim, novamente me reporto aos colegas que pediram dicas de como deveriam estudar por fichas. Depois de um tempo, fui ler as fichas que produziram.

 

Fiquei na dúvida entre dizer que não estavam utilizando o método corretamente e o medo de desanimá-los com alguma crítica logo no início de seus estudos.

 

Precisava dizer de uma forma delicada que suas fichas estavam poluídas demais. Então disse o que expliquei aqui: sejam SIMPLES na confecção das fichas. Se a informação for grande demais, utilize várias fichas.

Compreendo a dificuldade inicial do estudante, a técnica é completamente nova. Não são nem mesmo como os famosos mapas mentais, embora parecidos. A diferença é a reduzida quantidade de tinta por ficha.

 

Não polua demais seu pequeno outdoor. Novamente recorrendo aos “Outdoors”: imagine você em uma estrada se
deparando com um desses coberto de letras? O que acha que aconteceria?


Ou melhor, o que você acha que leria? Talvez mesmo em um engarrafamento, pouquíssimas pessoas teriam vontade de ler aquele comercial chato e enfadonho. O mesmo para as suas fichinhas, por favor!


Já que estamos nas estradas, outro exemplo útil é o das placas de trânsito. Já repararam que elas contêm apenas símbolos? E nós entendemos perfeitamente a mensagem com um simples olhar.

 

Mais uma vez repito: NÃO SEJA ECONÔMICO! Faça muitas fichas explicando um mesmo tema. O importante é gerar um material diversificado sobre o mesmo assunto e pulverizá-lo em muitas fichas.

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NÃO TENHA PENA DE GASTAR UMA FICHA

COM POUCAS PALAVRAS

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Nosso cérebro não conhece a palavra economia de espaço quando a questão é aprender. Ele gosta de muito espaço, principalmente os espaços vazios nas fichas, então não existe necessidade de atolarmos em uma ficha 1.500 informações que poderíamos distribuir por dezenas delas.


Tive uma colega na 4a série que tinha a letra tão miúda, tão miúda, que conseguia condensar em uma página o que eu gastava umas cinco para escrever.


E olhem que, naquele tempo, eu ainda apertava um pouco uma informação na outra. Se fosse hoje seriam umas dez folhas minhas no mínimo.


Se alguém quiser fazer como esta minha colega em suas fichas, por favor, mude o nome do método para método da sardinha enlatada. De repente até dá certo, pode ser; mas definitivamente não é sobre isso que tratamos aqui.

Outra vantagem do estudo com as fichas ocorre quando o aluno não passa de primeira no concurso escolhido.

 

Dá um desânimo... Ele olha para aquele monte de livros e cadernos e realmente sente vontade de desistir e não tentar de novo.


Em posse das fichas, seu trabalho principal será o mesmo: a leitura diária. Não será necessário que o candidato reinicie seus estudos do zero, como muitos costumam fazer, acreditando que não estudaram “certo” da primeira vez.

Em posse das fichas ele terá todo um caminho já percorrido, que necessita apenas de um aparar de arestas, de uma lapidação maior, de mais calibragem; e isto é muito menos desgastante do que começar tudo de novo. Assim o aluno percebe que já aprendeu muito e que já parte para o próximo concurso com uma bagagem muito maior do que a que tinha no concurso anterior.


De acordo com esta leitura diária ele pode verificar quais os pontos da matéria que precisam de um maior reforço e então recorrer aos livros, procurando especificamente este assunto.

Certo dia ouvi uma conversa entre dois colegas comentando a respeito do caderno de um amigo em comum, que era visto pelos dois como sendo muito dedicado nas aulas e nos estudos para o concurso.

 

Um deles disse: “O Marcelo copia até o espirro do professor”.

 

Minha pergunta é: “O espirro cai na prova ?”


As fichas também são uma forma de eliminar as inutilidades ditas em aula.

Coloco abaixo algumas orientações e peculiaridades deste diferenciado estudo por fichas, que é o coração do método que você está lendo:

  1. Numere as fichas. Este procedimento facilitará uma retomada nos estudos depois de muito tempo parado.

  2. Passe para a ficha somente o que você entender. Se o candidato passar para a ficha algo que não entendeu, o resultado será que ao ler não entenderá de novo.

  3. Só passe fórmulas que você entender, não adianta passar para ficar decorando.

  4. Não se preocupe se nas primeiras fichas sobre um assunto ficar difícil resumir, simbolizar, desenhar ou codificar.

  5. O importante é a fluidez com que o assunto é colocado na ficha, sem poluição, sem excesso de palavras, sem ruído, de forma auto-explicativa.

  6. Com o tempo e maior intimidade com a matéria, os símbolos, desenhos e códigos começam a surgir naturalmente.

  7. Chegará um momento em que só você consegue entender o que está na ficha, é quase uma nova linguagem.

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A FICHA NÃO ENSINA, ELA CONSOLIDA O APRENDIZADO,

FIXA O CONHECIMENTO DO QUE SE APRENDEU

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CONTINUANDO AS FICHAS