FIZ UMA VEZ E NÃO PASSEI

Desânimo e Frustração. Palavras que muitos concurseiros de carteirinha já sentiram na pele.

É o cansaço de estudar para concursos, a sensação de que este caminho não é o nosso, de que não temos condições, de que não adianta estudar mais porque não iremos conseguir.


Entre os motivos para este cansaço podemos citar: um fracasso em um concurso, uma baixa classificação em uma prova simulada, ou pior, um mau desempenho na resolução de exercícios de um capítulo de estudo.


Por exemplo:

 

O estudante fica em 74° na classificação geral do simulado do seu cursinho e já pensa em desistir. Não é assim. Faça uma análise de suas classificações anteriores. Veja o quanto progrediu. Pode ser que sua classificação varie até para baixo de uma prova para outra, e mesmo assim ser um sinal de crescimento.


Talvez esta prova tenha sido de um nível muito mais alto que o comum, ou de uma parte da matéria que você ainda não estudou bem. Os fatores são muitos envolvidos dentro de uma prova, mesmo que seja simulada.

 

Outro exemplo:


O candidato realiza aquela bateria de exercícios do capítulo e percebe que errou a metade, mesmo depois de já ter estudado 5 vezes a mesma matéria.


Quer dizer que você precisa estudar a 6ª vez e fazer uma releitura reforçada das fichas referentes a esta parte da matéria.

 

Saibam que o fato mais normal do mundo, para quem já passou em um concurso público, é não ter passado em alguns outros tantos. Antes do concurso para fiscal que fui aprovado em 2001, fiz um para a Petrobrás em 94, um para o TRE do Rio de Janeiro em 95, um para o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro em 2000 e um de Técnico da Receita Federal em 2000. Fui reprovado em todos.


As derrotas nos trazem importantes lições se vistas pelo lado positivo. Elas ensinam que, no momento da prova, tudo deve estar bem na nossa cabeça; e não me refiro somente à matéria, mas também ao valor da concentração, ao valor de um método, à quantidade de pessoas que também quer aquela vaga, à necessidade de uma preparação global e não somente das disciplinas que temos maior facilidade de aprender, enfim, ensinamentos que aos poucos vão moldando e preparando a mente para vencer.


Nós precisamos da humildade de perceber que ainda não estamos no ponto certo para a classificação, como em uma competição. Somos muito afobados, afoitos e apressados por resultados rápidos, vocês já ouviram falar em pressa no trânsito? Nos transformamos dentro dessas caixas de lata motorizadas com quatro rodas embaixo... Fazemos de tudo para conseguir as coisas rapidamente, chegar no local em menor tempo possível, enfim, acabar logo tudo que começamos.

 

O mesmo acontece no mundo dos concursos. Começamos a estudar em setembro e queremos estar 100% em dezembro. Ah, só uma lembrancinha rápida, já que toquei neste assunto: ninguém atinge 100%, ninguém. Sempre falta um ponto a estudar, mesmo para o primeiro lugar.

 

Ninguém atinge 100% do que deveria estudar.

 

Tenham em mente que o concurso público é um processo que pode durar por baixo 1 ano, mas dependerá de diversos fatores como tempo de estudo diário, cursinhos, volume de matéria, fontes de estudo e método.

 

Este processo de estudo vai variar de pessoa para pessoa, mas com certeza o resultado positivo dependerá do trabalho árduo de cada um em cima da matéria. Já pedi para abandonarem a ideia de “sorte” ou de “gênios”.

 

No mundo dos concursos estas figuras são tão imaginárias como os duendes ou papai Noel; ainda acredito mais nestes últimos. Alguns concurseiros abandonam o caminho nas primeiras derrotas.

 

Digamos que tinham uma ideia equivocada do quanto é concorrido este mundo dos concursos. Acreditavam que com 3 meses de estudo poderiam enfrentar um campeonato de concorrência 80 para 1. E finalmente tomam o primeiro impacto quando percebem que tem muita gente preparada e
estudando todos os dias também.

 

As derrotas são naturais neste caminho. Vai demorar um tempo até que você esteja calibrado para enfrentar, com possibilidades de classificação, um concurso concorrido. Não tenha dúvidas, é preciso paciência e determinação.

 

A preparação mental está justamente em entender que essas

derrotas fazem parte do caminho. Exatamente como um atleta que está buscando um índice olímpico, o trabalho é diário, objetivo, orientado para uma meta, preparado para enfrentar o desânimo nosso de cada dia.

 

O Mundo dos Concursos não é o local para quem desiste na primeira derrota. Também existe aquela situação em que o candidato já estudou a matéria toda, indo e vindo umas três vezes, já fez dois concursos para o cargo desejado, já viu vários colegas passando, tem notícias deles em seus trabalhos, vai para a próxima prova com toda a confiança, e o que acontece? Leva ferro. Novamente não entra. É de partir o coração. Dá vontade de rasgar tudo, gritar e dizer que nunca mais volto a estudar. 

O que fazer então?

Descanse uma semana (se não tiver outra prova próxima). Neste tempo descontraia, pise na areia (do mar e do mato). Faça exercícios ao ar livre, pedale em lugares bonitos. Medite todos os dias pela manhã. Veja alguns filmes. Enfim, dê um tempo para sua mente.

E depois recomece devagar. Pegue os blocos de fichas já construídos e releia-os gradualmente, não precisa ser tudo em um dia.

Tente perceber que você já está em um nível mais alto do que lá atrás quando começou e não tinha sequer feito uma prova. Tudo é mental. No início, apesar de saber tão pouco você estava super motivado; agora que levou mais esta bomba em um concurso tão esperado tem a sensação pior do que quando começou, quase a ponto de desistir. E nem consegue raciocinar que já está quilômetros à frente.

A caminhada não coloca alternativas ao concurseiro, o retorno aos estudos é o único caminho para continuar no jogo. A prova que passou será parte do aprendizado, do caminho, vai virar história quando você for aprovado.

 

Lembre-se:

 

A vitória será sempre o concurso seguinte ao último que você perdeu. Muitos depois de chegarem tão perto, encontrarem-se em tão bom estado de preparação, desistem porque não foram bem sucedidos no último concurso. Que desperdício. Faltou apenas um concurso.

 

Enxerguem o caminho como um todo. Observem o quanto já andaram. Vejam quantos candidatos ficaram para trás, até mesmo os que passaram nos concursos e já estão trabalhando no cargo também ficaram para trás porque não estão mais concorrendo com você.

Nos momentos de desânimo, lembre-se de sua mola motivadora, aquilo que foi falado no capítulo “Um motivo para estudar”, seu impulso, mantenha viva a chama que o levou a trilhar esta concorrida estrada.

 

A única vantagem do cansaço e do desânimo é que eles são democráticos, tentam abater também os seus concorrentes a todo o momento. Fique certo de que você não é o único a se sentir inseguro a respeito de todo o tempo e energia que já dedicou no objetivo dos concursos. Vence o jogo quem souber enxergar um objetivo maior, que transforme esses obstáculos em apenas mais uma etapa a ser vencida, como uma questão mais complexa em uma prova.


Muitos que estudam para concursos já conhecem esta frase, que já era antiga quando comecei a estudar:


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QUEM ESTUDA PARA CONCURSO NÃO ESTUDA PARA PASSAR,

ESTUDA ATÉ PASSAR

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