FUTEBOL E OUTRAS PAIXÕES

Este, provavelmente, é um dos capítulos mais difíceis de escrever deste manual. Preciso ter o máximo cuidado para não passar a imagem de tudo ou nada, de faça isso ou morra. Não é por aí, amigos.  E já adianto: quando me preparei para a competição de estudos que venci, eu mesmo não seguia à risca o que vou transmitir agora.

Mas por que colocar isso então?

Como já  disse antes, escrevi o MDC no período de 2003 a 2005, mas de lá pra cá o mundo dos estudos e, principalmente dos estudos de competição, como são os concursos, não sai da minha cabeça. Leio tudo que posso a respeito, faço cursos on line, implemento o que posso e tento trazer todo o conhecimento que pode agregar ao conteúdo original.

Certamente, a dica que abordaremos agora teria me ajudado demais se eu tivesse a chance de ouvir uma orientação como essa. É possível que até mesmo o curso da minha vida teria sido diferente com essa abertura de visão e liberdade que podemos conquistar quando observamos o mundo por outros ângulos.

Então vamos ao que interessa.

Somos o país do futebol. É isso que dizem o tempo todo, como uma propaganda inteligente, curta e fácil de guardar. Somos o país do futebol.

Até aí tudo bem. Participar de competições como protagonista, ver o respeito dos adversários, e ter grandes emoções com os gols e títulos conquistados. Certo? Mais ou menos.

É provável que muitos brasileiros, como eu era, tenham o futebol na veia, estimulado e reforçado pelo slogan que acabei de falar, e não vivam sem saber o que está acontecendo no mundo da bola, principalmente com seu time do coração. Realmente é um lazer muito saudável, desde que não gere brigas, e uma ocupação ótima para quem não está em regime de competição nos estudos. E antes de mais nada, é sempre bom lembrar que não existe competição pequena. Seja qual for a vaga que você esteja disputando, outros concorrentes, que sonham com o mesmo lugar, estarão dando o seu melhor para chegar primeiro.

Para quem disputa uma competição de estudos, qualquer centímetro de energia pode fazer a diferença no dia a dia, e consequentemente, lá no dia da prova. A vida corrida passa uma ideia de que não temos tempo para nada, e que a demanda de estudos em um concurso de conhecimentos é tarefa impossível de cumprir.

O grande problema é que temos a ideia de estudar para uma competição sem mudar nosso estilo de vida anterior, como uma pessoa que casou e quer continuar levando a vida de solteiro! Não dá. Tudo muda quando você se determina a um objetivo de competição. Tenha como certo que seus maiores adversários, e eles existem mesmo, estão cavando o que podem para encontrar tempo e economizar energia nos seus dias, para destinar ao objetivo traçado, que é vencer naquela prova.

Então, agora sim, adentrando ao tema deste capítulo, sugiro a solução radical: esqueça time de futebol. Foi a que tomei de 2016 para cá.

Nossa, aí você pegou pesado, Alex.

Eu sei. É provável que nem 1% dos meus leitores consiga fazer isso, assim de sopetão. Mas vou dar uma forcinha com mais algumas ideias sobre o ralo de energia e tempo que é torcer para um clube.

Dia de jogo. Você já acorda sabendo que é dia de jogo. Procura os noticiários, que estarão repletos de informações incrivelmente úteis para o seu time, não para a sua vida, e muito menos para o seu concurso, a não ser que seja munição para você discutir com as pessoas de sempre, que ao te verem andar pela rua, já soltam aquela piadinha, que você rebate com mais informação. 

O dia vai passando, e a adrenalina vai aumentando, você está mentalmente conectado com um jogo de bola entre 22 pessoas, que acontecerá em um local distante, ou no estádio de sua cidade, o que é pior, porque você provavelmente vai gastar seu tempo, energia e dinheiro para ver ao vivo os homens jogando bola.

Para chegar ao estádio, provavelmente vai pegar um transporte público lotado e cansativo, depois de um dia de trabalho. Dependendo do jogo vai ter que chegar horas antes para pegar um bom lugar e ficar então sem fazer nada até a hora do jogo, ou melhor, navegando no celular, pesquisando as últimas notícias que em nada afetarão a sua vida.

Começa o jogo e sua adrenalina vai às alturas. O árbitro apitou um impedimento contra o seu time, e você só falta entrar em campo para dar-lhe uma tapa. Seu time perde gols, um atrás do outro, e você xinga lá da arquibancada até a quinta geração do coitado do jogador. Você pensa que é videogame, e que o cara tem que acertar tudo. E então acontece, seu goleiro toma o maior frango da história futebolística planetária. Seu time faz de tudo, perde outros quatrocentos gols, você quase se esgoela de tanto gritar, mas não teve jeito, os caras perderam de 1 x 0. 

Volta pra casa reclamando, acabrunhado e com cara de poucos amigos. Se tiver outro reclamão do seu lado no caminho para casa, melhor ainda, podem ir chorando queixas a viagem toda. E ao chegar em casa, quem já te conhece sabe que é melhor não falar nada, porque você está em crise pós-futebolística. É como uma depressão pós parto, só que por um motivo inútil.

Até o outro dia você ainda está macambuzio e com cara de quem comeu doce de lesma. Sabe que terá que ir para o trabalho e encarar todas as piadas daqueles que sabem exatamente tocar na sua ferida com toda a delicadeza de um elefante. Se você tiver um bom preparo mental, o máximo que vai acontecer é engolir um monte de sapo mesmo e vida que segue, afinal, à noite será o jogo do time deles e você não vai perder a chance de reparar em todos os detalhes, para que amanhã, finalmente, possa devolver, uma a uma, aquelas gracinhas que falaram de você, ops, do seu time.

Enquanto isso, seus concorrentes estão estudando, estudando e estudando. 

Muitos sequer tinham time de futebol, outros eram torcedores esporádicos, e alguns tomaram a decisão radical de cuidar de suas vidas, e deixar aquele pessoal que já ganha milhões, ser financiado por quem pode ser dar a esse luxo, gastando horas e horas de seu precioso tempo vendo e torcendo por jogo de bola.

Esse cara que perdia tanto tempo e energia era eu mesmo. 

Só quando refleti sobre tudo aquilo; quando busquei ter um olhar de fora, foi que pude perceber o nível de desperdício que aquela atividade gerava. Inacreditável. Fiquei tão chocado, ponderei tanto sobre quanta energia já tinha perdido na vida a troco de absolutamente nada, ou como muitos dizem, pela emoção de um gol ou título; e então, de uma hora para outra, disse: basta, não vou mais torcer. E foi de verdade.

A sensação é de outro mundo. Primeiro porque parece que você não é mais você. E segundo porque o seu dia parece ter 48 horas!

 

E mais, você vai até a noite com energia para realizar atividades. Não existe mais aquela paixão que te tirava o chão, além de te tirar do páreo de estar entre os melhores.

Podemos ainda nos argumentar: mas muitos competidores de conhecimento, conseguem a aprovação mesmo torcendo para um time de futebol. Sim, é verdade. Mas tenho a absoluta certeza de que poderiam ir ainda quilômetros adiante se não perdessem seu tempo e energia com isso. As possibilidades se abrem quando percebemos que temos tempo de sobra para projetos maiores, quando não ocupamos mais os nossos preciosos dias com assuntos inúteis, que em nada alterarão o rumo de nossas vidas.

Disse que este capítulo seria um dos mais difíceis de escrever, mas meu recado mais sincero é esse: enquanto milhares perdem seu tempo e energia com o que não tem nada a ver com seu grande plano, outros já captaram a ideia antes mesmo de ler este livro, e estão dedicando a bênção de um dia de vida a conseguir dar mais um passo rumo ao sucesso em seus estudos.

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TORÇA SEM TORCER

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Observando a maneira de muitas pessoas acompanharem times de futebol, descobri que muitos encontraram um meio termo para essa questão, e a resposta é: Torcer sem torcer. E o que é isso?

É muito simples. Essas pessoas descobriram que o segredo é não se envolver, não absorver a energia de um  jogo, de comentários provocativos, de campeonatos perdidos e todas as intempéries que cercam o tema. Elas veem um jogo só na semana, e não estão muito conectadas com o resultado. É claro que se ganhar, melhor. Mas o objetivo é compartilhar uma conversa, brincar levemente com os colegas de trabalho, com seus funcionários, chefes, clientes e amigos. É como se, falar de um jogo ou time, fosse apenas um pretexto para se enturmar e manter um assunto leve, como se fosse um óleo para a engrenagem da amizade.

 

A grande vantagem dessa maneira de abordar o tema é a economia de energia em todas as situações. De manhã você não está nem aí para o jogo que vai acontecer à noite. Não ouve programas jornalísticos, não vai para o estádio, e se for, é só pelo passeio, pode sentar em qualquer lugar, pois o jogo é só um coadjuvante. Se o time fizer gol, você vibra com a galera; se perder, você finge tristeza, e volta pra casa pensando em coisas interessantes para fazer. Se viu o jogo em casa, ele é apenas um elemento decorativo na sala, você nem está tão concentrado assim no que está acontecendo. De preferência, procure esquecer as regras. Assim não vai ter que debater com ninguém. Se o jogo estiver chato, faça outra coisa. Não fique refém. Desconecte-se.

Falo isso porque já vi pessoas "torcerem" exatamente assim. Elas estão alheias. Aquele tema que é tão sério para os outros, para eles é apenas um detalhe micro. Na maioria das vezes nem vêem o jogo, só pegam o resultado na internet para poder dar aquela resposta ou sorriso de longe quando forem instados a falar sobre a partida. E todo mundo fica bem. Você continua sendo o dono do seu tempo. Vê um jogo por semana, só para relaxar mesmo - torcendo sem torcer. E fica completamente imune a todos os ralos de energia que envolvem este mundo do qual você não faz mais parte e só colhe a descontração.

Discorremos aqui sobre o futebol. Mas as dicas são válidas para qualquer paixão extra competição nos estudos, qualquer hobbie, esporte, estudo, reunião de família, de amigos, sociedade secreta, etc. Torça sem torcer. Pelo menos pelo tempo em que estiver na competição de um concurso de conhecimentos. Depois de aprovado você pode voltar a torcer de verdade, ou fazer como eu, percebendo como é bom ter o domínio sobre o seu tempo, e não mais dedicar tanta energia a assuntos que deveriam ser meros figurantes no espetáculo de nossas vidas.

Confesso que hesitei muito em colocar esse capítulo no livro. Tinha o receio de passar uma ideia de radicalismo, ou de viagem na maionese. Mas há um mês vi uma live em que o professor dizia que devemos entregar o nosso melhor para aqueles que seguem o nosso trabalho, o melhor de coração, sem medo de desagradar quem não compreender a ideia.

 

Pensando assim, vi que não poderia deixar esse capítulo de fora. O efeito que estes procedimentos tem feito em minha vida tem sido avassaladores. De uma pessoa sem tempo e sem energia em dia de jogo de futebol, passei a ser alguém com tempo de sobra para trabalhar, aprender algo novo, brincar com minhas filhas, me dedicar à exercícios físicos, descansar fazendo nada, criar conteúdos, e ainda sobrar tempo! Fora que não tenho mais qualquer preocupação com o que se passa com determinado time de futebol e seus adversários em hora nenhuma. É um verdadeiro tesouro de tempo e energia.

Seguindo então a dica que aprendi, estou oferecendo as melhores informações que fazem a diferença em minha vida. E como mensagem final deste capítulo divisor de águas, recomendo: torça sem torcer, ou melhor ainda, sequer torça.