Concurso público é para quem sabe trabalhar a autoestima, o otimismo, a disposição para enfrentar uma guerra interna e externa, um desafio à paciência e disciplina, porém, democrático e justo.

Podem até falar que tem peixada, que o primo do amigo do cunhado da minha tia comprou a vaga, que no Brasil não dá para levar nada a sério, mas adianto logo de largada: esses casos de fraude são exceções. A regra é que a maioria esmagadora dos aprovados em concursos são pessoas que batalharam para superar seus defeitos, romper barreiras e persistir em um objetivo. As lamentáveis exceções, que de alguma forma burlaram a lei para conseguir sua vaga, apenas justificam a regra.  


Infelizmente vi e ouvi falar a vida inteira de péssimas experiências que ocorreram em algumas empresas privadas, onde o que imperava mesmo era a falsidade com que colegas conseguiam galgar postos e trair outros que estavam em cargos mais elevados, ou estavam disputando a mesma vaga.

Isso sem falar nos shows de mentiras deslavadas em que por vezes se transformavam os exames de seleção para ingressar nas empresas privadas. Aquelas dinâmicas de grupo de um querendo derrubar o outro, expor seu defeito, se mostrar discretamente ou mesmo descaradamente para o examinador. Gente dizendo ter a experiência que não tinha, conhecer termos que haviam acabado de ler em uma revista de negócios, serem extremamente falantes e amigos, extrovertidos e companheiros, mas que revelavam ser exatamente o contrário quando já dentro das empresas.

Podem falar o que quiser dos concursos públicos, mas lá esses "artistas" não tem vez. Neste terreno que conheço muito bem, existe uma palavrinha que muda tudo: CONHECIMENTO.

 

Não vale o jogo do engana, do disfarce, da marmota; costumo designar, entre outros termos para concurso público, como a “vingança dos competentes”.

Vence este jogo quem usar de toda a sua sinceridade no estudar, buscar o melhor método de aprendizado, com disciplina, determinação, garra, autoconfiança e fé; enfim, quem souber se superar. É sobre isso que trabalharemos por aqui.

É um jogo em que ninguém começa como favorito por ser de família conhecida, ter estudado no melhor colégio, ou ter "papai importante". Nem mesmo ter um parente que já é concursado garante qualquer coisa. Ajuda como inspiração e experiência de provas.

Sobre ter estudado em melhores colégios, existe uma vantagem para aqueles estudantes que aproveitaram a oportunidade de materiais de qualidade à disposição e uma estrutura mais completa de ensino. Existe aí uma diferença para a grande e esmagadora maioria da população.

Tenho uma visão para essa situação. Uma grande parte desses alunos não fará concursos, isso é fato. Serão praticamente obrigados a seguir carreiras inconscientemente programadas pela família. Outra parte simplesmente não aproveita a oportunidade de ter estudado em um colégio melhor, afinal, são adolescentes ainda, e a noção de que tem uma bela oportunidade nas mãos passa quase despercebida.

 

Sobra uma turma que realmente aproveitou a oportunidade, é esforçada e está a fim de fazer concursos no futuro, e mais, estimulada pelos pais. Essa é a turma forte, ela existe. Mas pergunto: será que só existem vagas para esses alunos? Não terão eles problemas e escolhas no futuro que podem mudar tudo? Não seria uma diferença possível de ser alcançada por um estudante aguerrido que não teve esta oportunidade inicial?

O que quero dizer, meus amigos, é que o monstro não é desse tamanho todo. O problema é que às vezes tentamos arrumar desculpas para nos convencer de que o mundo é mais fácil para os outros e por isso que eu não venço. Adianto que o mundo nunca estará em um equilíbrio total de forças, são bilhões de vidas, cada uma com seu problema, virtude e solução. Cabe a cada um focar em um objetivo e descobrir passo a passo como avançar, como superar aquela desvantagem inicial, olhar o mundo com positividade, otimismo e garra.

O que define melhor e como gosto de chamar este mundo  dos concursos é "o terreno dos competentes", dos combatentes, de quem tem sangue nos olhos, faca nos dentes.

Por favor, não sigam o pensamento derrotista de quem tentou um cargo uma ou duas vezes e não conseguiu, e a partir daí, passou a chamar os concursos de marmelada, peixada ou outra comida melada. Esta é a justificativa mais pobre e destrutiva que podemos encontrar nos derrotados de véspera.

Até entendo que não é mole o desafio de enfrentar tantos outros candidatos querendo uma vaga, uma turma muito boa lutando questão por questão, gota a gota de suor, concentração, e tudo que faz parte da competição. Mas evitem por a culpa nos concursos. Eles estão ali para nos fazer melhor, mais guerreiros e menos esperadores das graças de graça.

 

A imagem mental que gosto de guardar é do concurso público como uma oportunidade transparente, regras expostas em um edital, jogo limpo, uma das poucas chances de ter certeza de que valerá somente o nosso esforço. Para não ser tão sonhador, é no mínimo o mais perto que se pode chegar disso.

Porém, antes de mergulhar de corpo e alma no tema, devemos perguntar se este é realmente o nosso desejo, se entrar para um cargo público ou ser aprovado no vestibular para determinada carreira, são aspirações realmente ligadas a nossa história de vida, se conseguiremos fazer isso de todo o coração; ou se estamos nos aventurando porque o amigo disse que é bom, porque o pai quer ou porque a tia pagou o cursinho, e não quero decepcioná-los.


Como fazer isso?

 

Converse com alguém que já passou, leia este livro, leia outros livros que tratam do tema, tem tanta gente fantástica falando de técnicas de estudo, de como é o cotidiano do ocupante de determinado cargo, inúmeros sites, blogs, fóruns. Vale a pena pesquisar e conviver com essa turma, nem que seja somente pelos livros e pela web.

 

Vá aos cursinhos sentir o clima, informe-se, busque a maior quantidade possível de subsídios para ver se o assunto te emociona, impulsiona a também fazer parte do jogo.

 

Como podem ver, não é uma tarefa estratosférica, mas é muito importante essa análise de consciência para ver se você está ou não preparado mentalmente pelo menos para começar a competição. Se sentir que está, vá em frente. Um verdadeiro mundo o aguarda.

O CONCURSO PÚBLICO